Quem tem o peito partido sabe que certas dores não passam. São como ondas que arrebentam por dentro do ser e se afastam lentamente. Depois, quando já se esqueceu o que passou, elas voltam com força e arrebentam novamente.
Não se deve abaixar a cabeça, não se pode perder a sede por conquistas. Os sufocos da vida são quase enlouquecedores para algumas pessoas e podem interromper sonhos.
Hoje, eu devolvo com um sorriso falso as tristezas que me atingem. Mesmo morrendo um pouquinho todos os dias, não paro um segundo sequer e busco alternativas para as minhas doenças (e elas são muitas). Sigo sorrindo porque sei que esse é o meu melhor lado.
Meu mundo está em minhas costas e sei que hoje ele é bem pesado. Existem momentos que quase caio, que quase sou esmagado, que quase deixo esse mundo cair. Mesmo sem ar para respirar, mesmo sem forças para andar, continuo meu movimento.
Ando devagar, arrasto os meus pés, me ajoelho, engatinho... mas jamais fico parado.
A maior prova da minha resistência é a minha própria vida. Já fui violentado de diversas formas, atropelado de muitas maneiras, mas sempre enxerguei novos caminhos. Hoje, não tenho medo de perder, mas também não quero mais ganhar. Esse é o meu novo caminho. Obscuro caminho. Único caminho.
Meu futuro é um vazio que sei que será preenchido com sangue e suor. Nunca fui de fugir desse destino e sei que existe algum motivo para que a minha existência seja escrita dessa forma. Não que eu me considere especial, predestinado. Não! Definitivamente não! Os acontecimentos, porém, são as minhas provas.
É melhor que seja um caminho solitário. Somente desta forma posso me conhecer de verdade. Meus olhos vão captar aquilo que ainda não consegui ver e isso será a minha maior conquista. Será o meu maior prêmio. Algo maior que qualquer salário e qualquer amor que alguém possa me oferecer.
Creio que exista algo coordenando isso. Quem está no controle está vendo as minha atitudes e, principalmente, as minhas intenções, o que é algo mais importante. As ações e as intenções são instituições distintas e, no meu julgamento (vão julgamento, é verdade, não nego), as intenções são mais importantes e verdadeiras.
As ações são preemeditadas na maioria das vezes. As intenções são irracionais e vem da natureza do ser humano. As minhas, até o momento, são as melhores possíveis. Isso beira o inacreditável se eu olhar para trás, por tudo o que passei, mas é verdade. Como sinto orgulho disso.
O passado triste não pode ser mudado e os machucados, mesmo cicatrizados, ficam na lembrança. Todos os dias, até o fim da minha vida, vou lembrar das dores e do pânico que vivi. Os cheiros, os sons, os sabores e as reações não são deletadas e, pior, vão e vêm com um frequência incontrolável.
O presente, no entanto, está em minhas mãos. Quem está controlando isso tudo, sei que existe essa entidade, está decidindo o que mereço receber no meu futuro. Não peço nada porque acredito que ele saiba o que quero e, além disso, sabe o que preciso. Se eu merecer, vou receber o que é meu de direito. Se eu não receber, sei que ao menos ele me dará forças para aguentar com dignidade tudo o que vier.
Algo muito grande e bonito envolve todo o universo. Somos todos diferentes, mas cada um traz em si desejos iguais. Por isso mesmo, somos iguais. A minha diferença, em algum momento, vai ser a chave para a solução de algo nesse universo que busca cada vez mais equilíbrio.